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.Graça e poder

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Graça de Deus

A Graça de Deus
Texto: Ef 2.4-10; Rm 5.12-21.

Introdução

Graça é o favor imerecido de Deus, inteiramente à parte de considerações de mérito. Esta palavra vem do latim gratus. No grego a expressão utilizada é charis. Uma vez que o homem está inteiramente depravado, decaído em seu pecado, não há qualquer merecimento que o qualifique a receber o favor divino, por isso ele é dado imerecidamente e por iniciativa divina. A graça é uma expressão majestosa do amor de Deus.
Todos os homens recebem alguma medida da graça de Deus. Se Ele os punisse imediatamente por seu pecado, a raça humana nem existiria, pois Adão e Eva mereciam a morte por sua transgressão. Alguns teólogos fazem distinção nas maneiras pelas quais essa graça se manifesta no mundo. Eles chamam a graça divina que alcança todos os homens de “graça comum”.

Graça Comum

Este conceito da graça foi formulado por Abraham Kuyper, teólogo e estadista holandês, no século XIX. Desde então, especialmente os calvinistas definem que as bênçãos divinas que todo homem recebe e que não fazem parte da salvação são produto desta “graça comum”. Para eles, esta difere da graça salvífica (ou salvadora) em seus resultados (não conduz à salvação), em seus recebedores (dada a todo homem) e em sua fonte (não é resultado direto da morte de Cristo) .
Por meio desta graça Deus dá aos homens:

• Bênçãos que demonstram a Sua bondade para com todos, como a chuva e o sol (Mt 5.44,45; At 14.14-17; 1 Tm 6.17), a respiração e a vida (At 17.25);
• Capacidade intelectual e criativa ao homem, para toda ciência e tecnologia, incluindo a racionalidade e o bom senso;
• Conhecimento em alguma medida de Si mesmo (Rm 1.21; At 17.22,23);
• Uma certa limitação da propensão ao mal, por meio da consciência (Rm 2.14,15), o que lhes dá a condição de fazerem algumas coisas certas (Lc 6.33);
• A formação e manutenção das instituições na sociedade, como família e governo (Gn 5.4; 9.6; Rm 13.4) e expressões da justiça cívica;
• Influência benéfica dos fiéis em favor de todos (Gn 39.5), inclusive pelas suas orações em favor dos outros (Mt 5.44; 1 Tm 2.1,2).

Apesar de fazer distinção entre a graça comum e a graça salvífica, os calvinistas, entretanto, afirmam que entre as razões para aquela manifestação da Sua graça está redimir os que serão salvos! (2 Pe 3.9,10). Assim, Deus dá a todos a oportunidade de viverem e se arrependerem de seus pecados. Eles também afirmam que ela “exerce uma função de preparação e assistência à aplicação da redenção aos crentes por parte de Deus” . Logo, esta manifestação da graça, conquanto não gere a salvação, a antecede.
Os arminianos concordam com estas afirmações, mas não fazem distinção entre as manifestações da graça divina e simplesmente denominam esta sua ação não salvífica de “graça preveniente”.

Graça Preveniente

O teólogo arminiano H. Orton Wiley declara: “sustentamos que não existe distinção na natureza da graça, isto é, entre preveniente e salvadora; somente existe uma e é da mesma natureza. Consequentemente, não deduzimos a diferença tão freqüente no calvinismo, entre graça comum e graça salvadora. Cremos que uma se funde na outra”. Não há diferentes graças, mas há diferentes apropriações dos seus benefícios. A graça é simplesmente Deus se colocando ao alcance do homem. Aquele que se deixa envolver por Ele mais receberá de Sua parte.
A declaração Remonstrante, feita pelos arminianos em 1618 declara: “Art. 4: Que esta graça de Deus é o começo, a continuação e o fim de todo o bem; de modo que nem mesmo o homem regenerado pode pensar, querer ou praticar qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação para o mal sem a graça precedente (ou preveniente) que desperta, assiste e coopera.”
A graça que é preveniente torna-se salvadora na vida daquele que crê. O homem decaído não pode crer se não for alcançado pela graça. Nem pode continuar crendo sem ela. Assim, todo homem necessita da graça divina. John Wesley declara em um de seus sermões: “Nenhum homem peca porque carece de graça, e sim porque não usa a que tem”. A graça, assim, alcança a todo homem e pode levá-lo à salvação (Tt 2.11).

Graça salvadora ou salvífica

É por meio da graça que o homem pode crer em Jesus para sua salvação (Ef 2.8). A graça confere ao homem decaído – morto em seus pecados e escravo da vontade – o poder de crer, mas o ato de fé é próprio do homem. Deus não crê pelo homem, nem se arrepende por ele. Por isso a Palavra adverte que todo homem deve crer e condena aquele que permanece descrente (Mc 16.16; Jo 3.18; 5.24; Jo 20.31; At 16.30,31; Rm 10.9; 1 Jo 5.10-13).
A fé é a condição para salvação, mas não a causa dela. Somos salvos por causa do sacrifício de Jesus. Mas nos tornamos beneficiários desta obra de Cristo quando cremos nele. O sinergismo ensinado por Armínio é que a vontade humana livre pela graça preveniente aceita a necessidade de salvação e permite que Deus lhe outorgue a dádiva da fé. Ela é aceita livremente, mas até a capacidade de desejá-la e aceitá-la se dá pela graça divina. A aceitação não é mais do que uma não-resistência a Deus.
Entretanto, porque o homem tem liberdade de escolha, pela graça, ele ainda pode aceitar ou rejeitar os benefícios desta mesma graça para ele. Logo, quanto ao modo de operação, a graça não é irresistível.

Graça resistível

A Palavra de Deus mostra em muitas passagens a resistência que muitos homens oferecem a Deus (Lc 7.30). Desde o Antigo Testamento, a Bíblia mostra esta resistência (Is 63.10; Ne 9.30). Jesus chora sobre Jerusalém lamentando a sua resistência a Ele (Lc 13.34). Estevão, em seu último discurso, também acusa os homens de resistir ao Espírito Santo (At 7.51). O apóstolo Paulo também recomenda que ninguém deve receber a graça de Deus em vão (2 Co 6.1) e mostra o descontentamento de Deus em relação àqueles que não atendem à Sua voz (Rm 10.21).
Deus quer salvar a todos (1 Tm 2.4) e, para isso, oferece a todos a Sua graça. Entretanto, nem todos crêem (2 Ts 3.2; At 28.24; Rm 10.16), por isso não alcançam a salvação. Não é o fato de que Deus não quer salvá-los, mas é que eles não querem ser salvos.

Conclusão

A graça de Deus é a expressão do Seu amor para com os homens. É por ela que podemos viver e expressar a Sua imagem em nós. É por ela também que todo homem pode ser salvo, crendo em Jesus Cristo. Assim, não há mérito humano, mas iniciativa e ação divina que é aceita por fé.
Aqueles que resistem à ação desta graça não têm nenhuma esperança, pois à parte dela não há possibilidade de salvação. Nenhuma obra humana pode salvá-lo, mas somente a graça divina.

Leitura Sugerida

WYNKOOP, Mildred Bangs. Fundamentos da Teologia Arminio Wesleyana. Campinas: CNP, 2004.
OLSON. Roger E. Arminian Theology – myths e realities. InterVaarsity Press, 2006.
COLLINS, Kenneth J. Teologia de John Wesley.Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

Carlos Kleber Maia

4 comentários:

Graça disse...

abençoadora esta doutrina da graça.
mas ainda não consigo entender por que chegaram a conclusão de dizer que esta graça é "imerecida".

porque?

Eduardo A S

Graça disse...

porque favor imerecido?

Priscila disse...

Quando olho no espelho entendo pq a graça é imerecida e sei q tenho q ser grata por ela ter me alcançado, pq o meu destino era a morte, mas a graça fechou o abismo, mesmo sem eu merecer. É simples assim.

LUCAS disse...

A graça é imerecida porque não somos dignos por nossos pecados de ser salvo mas nem por isso Deus deixou de nos conceder a salvação.